Um homem é convocado para trabalhar durante um dia numa eleição. Não querendo perder seus direitos de cidadão, que são quase nulos, e nem pagar uma multa, ele aceita. Já que em muito essa é só mais uma perda de tempo que ele é subjugado a aceitar pela ditadura vigente, a demagogia da maioria, horda quase retardada que adora e obedece à onipotente caixa retangular, esta que produz leis e é por sua vez controlada por outro grupo, bem menor, mas nem um pouco mais inteligente, realmente quase igual à horda, só que com alguns costumes diferentes.
Então, o homem vai para o posto eleitoral. Sua primeira ação do dia é votar nulo, já que desda invenção da máquina de votação, votar em Bart Simpson, ou em uma de suas opiniões se tornou uma sofrida impossibilidade. Além disso, o único que poderia lhe oferecer oposição era o Baby da família Dinossauro. Após votar, o homem segue para coordenar as fileiras desorientadas que virão pelo dia para votar no que mais gastou dinheiro para lhes convencer, ou na opinião que este defende.
Logo, quando a fila principal de votação é interrompida por uma fila paralela de idosos que tem preferência pela lei, uma discussão começa.
- Isso não está certo, nós chegamos aqui primeiro e assim a fila nunca anda! - exclama raivosamente uma pessoa na fila principal.
- Eu não posso fazer nada, estou só obedecendo ordens! - exclama o homem, essa frase tão firmemente repetida pelas épocas, mais recentemente pelos soldados americanos nas Filipinas, pelos turcos na Armênia, pelos russos na Sibéria, pelos alemãs na Polônia, pelos japoneses na China, pelos franceses na Argélia, pelos americanos no Vietnã, pelos paquistaneses no Bangladesh, pelos khmeres vermelhos no Camboja, pelos chineses no Tibet, e obviamente pelos ingleses em muitos lugares. Realmente por milhares de pessoas em todos os países existentes e inexistentes.
- Mas, mesmo assim, isso não está certo!
- Ei... você não pode simplesmente escolher as leis que você deseja cegamente seguir. Se você já escolheu aceitar uma, tem de aceitar todas! Se você tem algum problema com isso, só posso lembrar que você tem sempre a liberdade de juntar mais pessoas que dividem a sua opinião, armazenar uma boa quantidade de armamentos e num dia qualquer fazer sua opinião ser sentida por aqueles que fazem e executam essas leis. Faça o quê Vlad fez aos nobres e aos turcos que dominavam a Romênia!
A pessoa nada responde.
- Uhh... ok... supostamente você não tem essa liberdade. Mas você pode pelo menos tentar! No mínimo você perde a batalha com honra e é levado pelas valquírias a Vahalla. E isso é sempre melhor que simplesmente escrever a sua opinião num pedaço de papel e ficar andando de um lado para o outro, mostrando-o como uma barata tonta!
- Por que, então, você não faz isso?
- Porque eu não me importo! O buraco é de vocês e vocês que fiquem com ele. Lembrando, que a natureza tende a fechar todos os buracos e que estes só são mantidos abertos pelo constante esforço de sempre cavar e se afundar dos que neles se encontram. Eu, por minha vez, não quero cavar e nem ficar perto dos que o fazem, assim já estou pronto para fugir na primeira oportunidade para terras com buracos menores como o Canadá, onde me isolarei em uma floresta de pinheiros e comerei pinhas.
A discussão se acaba e uma idosa logo lhe pede ajuda sobre como votar.
- Tudo que você precisa saber, é que se você não tomar a decisão certa, os pequenos demônios escondidos dentro da máquina de votação, vão tomar sua alma e lhe dar um choque! Então, por segurança a melhor decisão é simplesmente voltar para o cemitério que lhe deu origem.
Copyright @ Daniel Matos, 2005
Então, o homem vai para o posto eleitoral. Sua primeira ação do dia é votar nulo, já que desda invenção da máquina de votação, votar em Bart Simpson, ou em uma de suas opiniões se tornou uma sofrida impossibilidade. Além disso, o único que poderia lhe oferecer oposição era o Baby da família Dinossauro. Após votar, o homem segue para coordenar as fileiras desorientadas que virão pelo dia para votar no que mais gastou dinheiro para lhes convencer, ou na opinião que este defende.
Logo, quando a fila principal de votação é interrompida por uma fila paralela de idosos que tem preferência pela lei, uma discussão começa.
- Isso não está certo, nós chegamos aqui primeiro e assim a fila nunca anda! - exclama raivosamente uma pessoa na fila principal.
- Eu não posso fazer nada, estou só obedecendo ordens! - exclama o homem, essa frase tão firmemente repetida pelas épocas, mais recentemente pelos soldados americanos nas Filipinas, pelos turcos na Armênia, pelos russos na Sibéria, pelos alemãs na Polônia, pelos japoneses na China, pelos franceses na Argélia, pelos americanos no Vietnã, pelos paquistaneses no Bangladesh, pelos khmeres vermelhos no Camboja, pelos chineses no Tibet, e obviamente pelos ingleses em muitos lugares. Realmente por milhares de pessoas em todos os países existentes e inexistentes.
- Mas, mesmo assim, isso não está certo!
- Ei... você não pode simplesmente escolher as leis que você deseja cegamente seguir. Se você já escolheu aceitar uma, tem de aceitar todas! Se você tem algum problema com isso, só posso lembrar que você tem sempre a liberdade de juntar mais pessoas que dividem a sua opinião, armazenar uma boa quantidade de armamentos e num dia qualquer fazer sua opinião ser sentida por aqueles que fazem e executam essas leis. Faça o quê Vlad fez aos nobres e aos turcos que dominavam a Romênia!
A pessoa nada responde.
- Uhh... ok... supostamente você não tem essa liberdade. Mas você pode pelo menos tentar! No mínimo você perde a batalha com honra e é levado pelas valquírias a Vahalla. E isso é sempre melhor que simplesmente escrever a sua opinião num pedaço de papel e ficar andando de um lado para o outro, mostrando-o como uma barata tonta!
- Por que, então, você não faz isso?
- Porque eu não me importo! O buraco é de vocês e vocês que fiquem com ele. Lembrando, que a natureza tende a fechar todos os buracos e que estes só são mantidos abertos pelo constante esforço de sempre cavar e se afundar dos que neles se encontram. Eu, por minha vez, não quero cavar e nem ficar perto dos que o fazem, assim já estou pronto para fugir na primeira oportunidade para terras com buracos menores como o Canadá, onde me isolarei em uma floresta de pinheiros e comerei pinhas.
A discussão se acaba e uma idosa logo lhe pede ajuda sobre como votar.
- Tudo que você precisa saber, é que se você não tomar a decisão certa, os pequenos demônios escondidos dentro da máquina de votação, vão tomar sua alma e lhe dar um choque! Então, por segurança a melhor decisão é simplesmente voltar para o cemitério que lhe deu origem.
Copyright @ Daniel Matos, 2005


3 comentários:
Li com atenção seu texto, assim como você leu o meu. Gostei da sua forma de escrever. Será sempre assim ou você é um camaleão como eu?
Bom, é só isso. Obrigada pelo elogio, gentil desconhecido.
Oi!!! Estou deixando este comentário para te provar que passei por aqui. Este texto eu já havia lido e achei bem engraçado, principalmente a parte do Bart.
Até amanhã. Bjim!
Fala Daniel. É bom saber que na Filosofia ainda existe críticos da realidade, e não só da metafísica ou coisas do gênero.
Li, re-li e pretendo ler mais vezes pois o texto é muito denso no sentido de idéias...talvez você não ache isso, mas a arte exprime várias facetas numa só obra.
Gosto muito de escrever também e espero te mostrar alguns outros textos meus. Bom, te encontro nas aulas! Abraços..
Postar um comentário