Quarta-feira, Dezembro 24, 2008

Em novo endereço!

Agora no site: http://www.danielmatos.com.br/blog!

A partir do dia 5 de janeiro, com atualizações diárias!

Quarta-feira, Novembro 26, 2008

Lançamento do Um Grito no Vazio para o Nada!

Finalmente lançado em versão impressa pela recém fundada Editora Epicentro Nervoso!


Um romance banhado em diálogos filosóficos que vagam pelo vazio apontando para o nada. Narrando a saga de um homem em situações que perfuram a realidade e flutuam pela existência. Uma saga a perfurar a condição humana na sua eterna investigação!

É a história de um homem, ou talvez um garoto, sozinho na claridade a procurar as respostas às perguntas as quais já conhece muito bem, mas as guais também não consegue assumir em sua vida. Um ser que é apaixonado, sentimental, insano e doido. Porém, realista com suas ilusões.

São 234 páginas de aventura filosófica e surreal, com pitadas de humor.

Para ler alguns capítulos e depois fazer a sua compra é só entrar em:
http://umgritonovazioparaonada.blogspot.com

"Penso, penso no sentido de tudo aquilo que não faz sentido e quanto tudo isso não faria nenhum sentido se tivesse algum sentido. "

Veja o vídeo promocional!

Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008

http://epicentronervoso.blogspot.com

Sábado, Novembro 19, 2005

Escravidão

Novembro, 2005

Sentado numa estação de metrô, um homem escuta um bizarro ruído. Uma estranha alegoria sendo cantada a infestar todos aqueles suscetíveis a tais monstruosidades. Um balbuciar a exaltar os atos mais imorais. Festejando a vida de indivíduos que acordam cedo de manhãs sem sonhos, que se esforçam durante o dia naquilo que pouco lhes é relevante e que dormem tarde sonos desesperados. Após tal horrível experiência, tal terrível ode ao horror, é deixado enjoado e com vontade de vomitar, sai cambaleando e cai num canto. Um velho aparece e lhe pergunta o que houve, ele lhe responde com outra pergunta.
- O que as pessoas querem? - pergunta o homem ao velho, levantando-se.
- Dinheiro - responde o velho.
- Se arrancarmos todo o extenso emaranhado de mentiras que escondem perversamente a verdade, tudo que essas pessoas foram subjugadas a ser pelas correntes que as prendem, a resposta não seria outra, uma bem mais simples. Não querem elas serem felizes?
- Dinheiro traz felicidade!
- Ser colocado de manhã num carro de açougue, amontoado entre milhares de outras almas torturadas e transportado para as regiões da distorção, onde tudo aquilo que é mais inútil, é festejado como o mais necessário. Repetindo sem parar a mesma coisa, servindo àqueles que não precisam ser servidos, obedecendo piadas que se fazem de ordem, tudo em troca de uma abstração que não pode comprar nem o amor, nem a paz e nem a sabedoria. Você não vê algo errado nisso?
- Sim, o desemprego!
- Ah... é claro, porque ser um escravo é obviamente uma parte essencial da vida. Mas não se preocupe, se tudo que é inútil já está sendo feito, sempre se pode pensar em mais alguma coisa que não precisa ser feita para fazer. O que você ganha com isso?
- Bebida!
- Sim, o melhor escravo é aquele que acredita ser livre, mas essa falsa liberdade não é uma mentira por si suficiente. Você precisa no fim do dia, do seu bar, da sua igreja, do seu deus caixa a transmitir imagens e dar ordens, e do seu deus esférico, que ao ser chutado, dá a divisão e a falsa vitória. Esse é realmente o essencial?
- O essencial é a sobrevivência e isso é o que se tem!
- Que sobrevivência? A das baratas? A sobrevivência já foi atingida há mais de cem anos. O que você tem agora é uma produção quase que noventa porcento inútil. Vejamos aquelas inutilidades de quatro rodas que a nenhum lugar levam. Só o amontoado de esforço e de industrias necessário a construí-las é assustador! E, por acaso, você precisa deste sistema relativo e falho de transporte? Não. Como também não precisa das milhares de outras besteiras descartáveis que se espalham para todos os lados. Enquanto isso, os dez porcento realmente necessários não requerem quase nenhum esforço e você só não os vê sendo efetivos, porque em maioria são desviados para sustentar colônias de obesos, que são tão miseráveis quanto as de mortos de fome.
- Então, se tudo é tão diabólico, porque as pessoas não se revoltam?
- A maioria, não como ela é, mas como aqueles que a compõem poderiam ser, caso não fossem por ela subjugados, tem em cada um de seus membros a capacidade da genialidade. Tendo bilhões de possíveis gênios! Possíveis gênios que se chegassem a seus ápices de conhecimento nunca aceitariam a grande mentira que sempre está a devorá-los. Mas nada pode realmente mudar enquanto todos eles pensarem como um, o um que é produto da maioria, já que assim esse um sempre pensará para nenhum e esses todos sempre se manterão numa enganação. Só quando não haverem mais todos a subjugar e cada um separadamente pensar como um, o um produto de si próprio, esse um pensará para todos e esses todos habitarão a verdade. Pois para esse um, fruto de um pensamento, é melhor que todos sejam também um, o um que desfruta de tudo que este é. Assim, deve-se ser não um a partir de todos, mas um a partir de um que é igual a todos. Porém isso é uma ilusão, que nunca vai acontecer! Pelo menos, não na escala necessária para fazer alguma diferença. Porque a maioria sempre se encontra a esmagar violentamente cada um de seus membros, a impedi-los a todo custo de encontrar a liberdade, subjugando-os a serem eternamente meros personagens de ficção. Uma ficção produzida por uma máquina que já está muito bem estabelecida. Uma máquina que só existe com o único objetivo de continuar existindo e que para isso prende cada um de seus personagens em uma complexa trama, fazendo-os acreditarem serem diferentes de seus iguais das mais ridículas formas, como por diferentes quantidades de possessões desnecessárias, ou por diferentes inutilidades praticadas. Por fim, chegando a resposta da pergunta. Por que não se revoltam? Porque são personagens de ficção. E ficção só se revolta quando isso já está inscrito em seu roteiro. Um roteiro escrito pela máquina que obviamente já prescreve o fracasso. Pois a revolta roteirizada sempre se faz contra outros na mesma condição de personagens de ficção e nunca contra a verdadeira culpada, a máquina que a tudo escreve. Concluindo-se que todos aqueles que realmente pensam, que são um a partir de um, só podem ser acidentais. Porque num mundo dominado por uma caixa que dá ordens e por um sistema educacional que só serve para produzir trabalhadores ou pessoas com alergia ao saber, o pensamento próprio não é algo natural. Enfim, são esses acidentes os únicos que podem realmente se revoltar, não o fazendo por entenderem que apesar da máquina ser em si fraca, a maioria por ela subjugada não o é e sempre está muito bem preparada a apedrejar, empalar e incinerar todos aqueles que sequer se atreverem a ameaçar a sua criadora.
- Logo nessa lógica ninguém pode fazer nada, só cair em um canto enjoado?
- Sim, ou se isolar completamente numa pequena caixa e não pensar no assunto!
- Ótimo! Eu vou embora agora, beber um pouco.

Copyright @ Daniel Matos, 2005

Domingo, Outubro 16, 2005

Eleições

Outubro, 2005

Um homem é convocado para trabalhar durante um dia numa eleição. Não querendo perder seus direitos de cidadão, que são quase nulos, e nem pagar uma multa, ele aceita. Já que em muito essa é só mais uma perda de tempo que ele é subjugado a aceitar pela ditadura vigente, a demagogia da maioria, horda quase retardada que adora e obedece à onipotente caixa retangular, esta que produz leis e é por sua vez controlada por outro grupo, bem menor, mas nem um pouco mais inteligente, realmente quase igual à horda, só que com alguns costumes diferentes.
Então, o homem vai para o posto eleitoral. Sua primeira ação do dia é votar nulo, já que desda invenção da máquina de votação, votar em Bart Simpson, ou em uma de suas opiniões se tornou uma sofrida impossibilidade. Além disso, o único que poderia lhe oferecer oposição era o Baby da família Dinossauro. Após votar, o homem segue para coordenar as fileiras desorientadas que virão pelo dia para votar no que mais gastou dinheiro para lhes convencer, ou na opinião que este defende.
Logo, quando a fila principal de votação é interrompida por uma fila paralela de idosos que tem preferência pela lei, uma discussão começa.
- Isso não está certo, nós chegamos aqui primeiro e assim a fila nunca anda! - exclama raivosamente uma pessoa na fila principal.
- Eu não posso fazer nada, estou só obedecendo ordens! - exclama o homem, essa frase tão firmemente repetida pelas épocas, mais recentemente pelos soldados americanos nas Filipinas, pelos turcos na Armênia, pelos russos na Sibéria, pelos alemãs na Polônia, pelos japoneses na China, pelos franceses na Argélia, pelos americanos no Vietnã, pelos paquistaneses no Bangladesh, pelos khmeres vermelhos no Camboja, pelos chineses no Tibet, e obviamente pelos ingleses em muitos lugares. Realmente por milhares de pessoas em todos os países existentes e inexistentes.
- Mas, mesmo assim, isso não está certo!
- Ei... você não pode simplesmente escolher as leis que você deseja cegamente seguir. Se você já escolheu aceitar uma, tem de aceitar todas! Se você tem algum problema com isso, só posso lembrar que você tem sempre a liberdade de juntar mais pessoas que dividem a sua opinião, armazenar uma boa quantidade de armamentos e num dia qualquer fazer sua opinião ser sentida por aqueles que fazem e executam essas leis. Faça o quê Vlad fez aos nobres e aos turcos que dominavam a Romênia!
A pessoa nada responde.
- Uhh... ok... supostamente você não tem essa liberdade. Mas você pode pelo menos tentar! No mínimo você perde a batalha com honra e é levado pelas valquírias a Vahalla. E isso é sempre melhor que simplesmente escrever a sua opinião num pedaço de papel e ficar andando de um lado para o outro, mostrando-o como uma barata tonta!
- Por que, então, você não faz isso?
- Porque eu não me importo! O buraco é de vocês e vocês que fiquem com ele. Lembrando, que a natureza tende a fechar todos os buracos e que estes só são mantidos abertos pelo constante esforço de sempre cavar e se afundar dos que neles se encontram. Eu, por minha vez, não quero cavar e nem ficar perto dos que o fazem, assim já estou pronto para fugir na primeira oportunidade para terras com buracos menores como o Canadá, onde me isolarei em uma floresta de pinheiros e comerei pinhas.
A discussão se acaba e uma idosa logo lhe pede ajuda sobre como votar.
- Tudo que você precisa saber, é que se você não tomar a decisão certa, os pequenos demônios escondidos dentro da máquina de votação, vão tomar sua alma e lhe dar um choque! Então, por segurança a melhor decisão é simplesmente voltar para o cemitério que lhe deu origem.

Copyright @ Daniel Matos, 2005

Terça-feira, Agosto 30, 2005

O Velho e a Pequena Garota

Dezembro, 2004 / Revisão - Junho, 2005

Um velho está sentado numa pedra no meio do nada, olhando para o nada. Uma pequena garota aparece, vinda de lugar algum para lugar nenhum e vai até o velho. Ela o olha e assim pergunta-o.
- O que você está fazendo? - diz ela despertando pela primeira vez a atenção do velho, que até então não a notara.
- Penso, penso no sentido de tudo aquilo que não faz sentido e quanto tudo isso não faria nenhum sentido se tivesse algum sentido - responde o velho olhando para a garota, analisando-a.
- Isso não faz nenhum sentido - diz a garota.
- Sua afirmação faz muito sentido - diz o velho voltando a olhar para o nada.
- O que olhas? - pergunta a garota.
- O nada. Há muito a se ver no nada. Olhe - diz o velho apontando para o nada.
A garota olha na direção que ele apontou.
- Nada vejo - diz a garota.
- Sim, nada se vê. Essa é a verdade absoluta - diz o velho continuando a olhar para o nada.
- Estou entediada - diz a garota.
O velho com um rápido movimento volta a apontar para o nada. A garota de novo olha para direção apontada. O velho continuando a apontar para o nada, começa aos poucos a mover seu dedo em outra direção, a da garota, que o olha fixamente. O velho, então, pára o dedo apontando para o nariz da garota. A ponta de seu dedo a toca. A garota continua a olhá-lo.
- De onde você veio? - pergunta o velho.
- Lugar algum - responde a garota.
- Para onde você vai?
- Lugar nenhum - responde a garota, agora segurando o dedo do velho, que continua tocando seu nariz.
- Onde você está?
- Quem sabe? - retruca a garota, agora levantando a outra mão, tentando alcançar com o dedo o nariz do velho, sem realmente consegui-lo.
- Já estive em lugar algum, também em lugar nenhum, mas não tenho a mínima idéia onde estou - responde o velho, segurando o nariz da garota, puxando-o mais para perto para que a garota possa alcançar com o dedo o seu nariz.
- Eu odeio lugar algum! - exclama a garota, finalmente alcançando o nariz do velho. Ele que já soltara o nariz dela e voltara a só tocá-lo com a ponta do dedo.
- Lugar algum é extremamente alegre até o momento que você descobre onde está, assim se torna extremamente tedioso. Você acaba tendo que rumar para lugar nenhum.
- Verdade - responde a garota, empurrando o velho para trás com o dedo sobre seu nariz.
- Mas lugar nenhum pode ser pior.
- Não! - exclama a garota estarrecida.
- Sim, muito pior - reafirma o velho segurando o dedo da garota, impedindo o constante empurrão.
- Não! Não! Não!
- Sim, mas tudo depende de como você age. Quem sabe para você pode ser melhor!
- Por que é tão difícil?
- Porque ninguém ainda encontrou o caminho para lugar melhor. Se é que existe!
- Mas tem de existir!
- Assim, eu espero também. Talvez aqui - diz o velho, subindo seu dedo para a testa da garota.
- Ou talvez aqui - diz a garota descendo seu dedo até o queixo do velho.
- Talvez.
- Sim, talvez. O que devo fazer em lugar nenhum? - pergunta a garota.
- Você devia saber! - exclama o velho voltando com o seu dedo para o nariz da garota e empurrando o dela de volta para seu nariz.
- Mas não sei.
- Por onde posso começar? Sim, sim. Primeiro você tem de aprender o máximo possível. Mas preste atenção, todos que quererão te ensinar, só te ensinarão o quê você não precisa saber. Aqueles que não nomearei, só querem lhe ensinar tudo aquilo que melhor lhes permitir controlá-la. Deves repugná-los o máximo possível!
- Mas você quer me ensinar coisas. Devo repugná-lo? - pergunta a garota, interrompendo o velho.
- Primeiro, foi você que perguntou. Segundo, não estamos em lugar nenhum. Logo, não posso agir como aqueles que estão lá. Não sabemos onde estamos e só podemos agir como aqueles que não o sabem. Então, posso continuar?
- Tarde demais, já estou a repugná-lo.
- E eu também a você.
Nesse instante, cada um solta o dedo do outro, e com os dedos tocando seus narizes começam a fazer um movimento giratório. Isso se dá por alguns minutos, até que finalmente param, voltando a tocar um o nariz do outro, começam a se empurrar dessa maneira, mas logo com a outra mão seguram um o dedo do outro.
- Posso continuar? - pergunta o velho.
- Não - responde a garota.
- Mesmo assim continuarei. Outro fator extremamente importante em lugar nenhum é que não deves confiar em ninguém.
- Não devo confiar em você?
- Pare! - exclama o velho meio irritado.
- Devo confiar em mim? - pergunta a garota.
- Provavelmente não. Eu não o faria!
Em resposta a garota começa a pressionar com mais força o nariz do velho.
- Por que não? - pergunta a garota.
- Se você não sabe se deve confiar em si própria, como devo eu confiar em você?
- É que, às vezes, eu me sinto como se fosse só uma espectadora, sem poder controlar minhas ações, só julgá-las a distância. Sou duas.
- E? - pergunta o velho segurando com mais força o dedo da garota que o empurrava.
- E o quê?
- Sou sete. Quatro provavelmente planejam me matar. Os outros três riem de mim constantemente. Mas mesmo assim, confio em todos - diz o velho pegando o dedo da garota e mordendo-o.
- Ah! Por que fez isso?
- Um dos sete estava entediado. Não posso controlá-lo.
- Ó, a minha outra também está entediada. Não posso controlá-la - diz a garota mordendo o dedo do velho.
Após um momento, voltam a só tocar um o nariz do outro.
- Confias em mim? - perguntam ambos simultaneamente.
- Sim - respondem ambos entre si.
- O que mais preciso saber sobre lugar nenhum? - pergunta a garota.
- Só que deves se acostumar a ficar entediada por longos períodos de tempo.
- Ah, que tédio! O que vamos fazer agora?
- Descreva-se.
- Por quê, és cego?
- Não sei. Acredito que não. Na verdade nunca conheci alguém que não me parecesse cego. Logo, não sei se este é o estado normal das pessoas, ou se só os vejo assim.
- Mas eu te vejo!
- Sim, estamos conversando. Logo, você me vê. Não é cega, se fosse teria passado direto. Mas eu não a vi, então, sou cego!
- Talvez não, talvez só esteja mal acostumado. Nunca és visto?
- Não nunca. E você o és?
- Não sei, você não me viu.
- Não, mas como você disse, estava cego por não ser visto. Se você vê, então pode ser vista, não é?
- Espero - diz olhando-o desolada. - Mudemos de assunto. Quer saber como sou?
- Sim, quero saber cada detalhe de quem foi capaz de me ver. Espero por isso a muito tempo.
- Assim descreverei-me. Tenho cabelos que cobrem à minha cabeça. Tenho dois olhos, que vêem aquele que não era visto. Tenho uma boca que conversa com aquele com quem ninguém conversava. E é claro, tenho um nariz e na ponta deste tenho um dedo, ligado a uma mão, ligada por sua vez a um braço, ligado enfim a alguém que quero ver e com quem quero conversar. Agora é a sua vez.
- Sim, é claro. Tenho também cabelos que cobrem à minha cabeça. Tenho dois olhos , que até agora, só viam todos que não os viam e nenhum que os queria ver. Tenho uma boca, que queria falar, mas se manteve calada até alguém começar a falar com ela. E finalmente, tenho um nariz e na ponta deste tenho um dedo, ligado a uma mão, ligado por sua vez a um braço, ligado enfim a alguém que me viu e falou comigo.
- Agora sabemos como somos. Há, então, mais algo a se saber?
- Não. Não há nada mais a se saber, só tudo aquilo que não precisa ser desconhecido! - exclama o velho. - Mas isso não precisas de mim para descobrir - diz soltando o dedo da garota, que toca seu nariz.
- Devemos, então, nos separar? - pergunta a garota, afastando seu dedo do nariz dele, sem saber o que fazer.
- Sim. Tens de continuar seu caminho para lugar nenhum. É inevitável! - exclama afastando, por sua vez, seu dedo do nariz dela.
- Não sei se quero continuar, prefiro não saber onde estou! - exclama voltando a aproximar seu dedo do nariz dele.
- Mas não podes, sua preferência nunca esteve em jogo, não há uma opção - diz pegando o dedo dela e o afastando de seu nariz. - Para ter total certeza que não se sabe onde se está, deve-se primeiro rumar para lugar nenhum e lá por um tempo ficar. Só, assim, pode-se entender por completo que não se pode saber onde se está.
- Você vai esperar por mim? - pergunta tristemente colocando seu dedo sobre seu próprio nariz.
- Não, não posso. Agora que fui visto não posso mais não saber onde estou, tenho que continuar meu caminho.
- Mas para aonde?
- Lugar melhor - responde colocando seu dedo sobre seu queixo.
- Mas você disse que... - pára, entendendo, enfim, as palavras dele. - Sim, compreendo-o. Devo seguir, então.
- Sim, deves.
- Até nunca - diz a garota, triste, levantando seu dedo para o velho, tentando uma última vez tocá-lo.
- Até sempre - diz o velho, que levanta seu dedo em encontro do dedo dela.
Seus dedos se tocam e, logo, se desencontram. A garota segue por seu caminho, o velho a observa indo embora. Num último momento, no entanto, ela querendo vê-lo por uma última vez, pára e olha para trás. E, assim, nada vê, já que não há nada a ser visto.

Copyright @ Daniel Matos, 2005